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Presidente da Direção da APROSOC – Associação de Proteção Civil, acusa Tribunal de Contas de não fazer o que lhe compete para que sejam garantidos os serviços de emergência médica pré-hospitalar aos cidadãos.

A APROSOC – Associação de Proteção Civil, não pode no cumprimento dos seus fins estatutários, continuar a assistir impávida e serena ao que dia após dia lhe chega de informação sobre a improficuidade de funcionamento do Sistema Nacional de Emergência Médica, sem se pronunciar sobre o que crê estar na base de tal situação caótica, sem elencar, como sempre fez, as entidades responsáveis por tais factos, bem como o que é necessário corrigir de modo conducente às soluções que carecem ser implementadas.

É certo e sabido que o atual modelo de Sistema Integrado de Emergência Médica está obsoleto e serve essencialmente interesses instalados, alheando-se em muito do seu “core” central, salvar vidas humanas.

Há anos (demais) que o tribunal de contas não apresenta contas aos contribuintes sobre os tempos de resposta dos serviços de emergência médica pré-hospitalar, situação que, a não resultar de promiscuidades, também não denota proficiência na ação daquele alegado órgão de soberania.

Há muito que a APROSOC alertou para muito do que de funesto vêm vindo a público, há muito que o fez junto dos representantes dos grupos parlamentares da Assembleia da República, sendo no mínimo estranho que o Tribunal de Contas que, já antes constatou que os tempos médios de resposta excediam largamente os standards europeus, tenha deixado de fazer tal avaliação, apesar da pornográfica escalada de agravamento.

Um instituto Nacional de Emergência Médica com recursos humanos garantidamente aquém do necessário para operacionalizar os seus meios operacionais e que concorre com os seus alegados parceiros e que os fiscaliza sem que seja fiscalizado e, o Tribunal de Contas faz de contas que não vê.

Um sistema público inequivocamente sem capacidade de resposta quotidiana, onde se contratam Associações de direito privado, tais como Bombeiros e Cruz Vermelha para resposta à emergência, mas em que se deixam de fora empresas de ambulâncias indispensáveis à melhoria dos tempos de resposta, dai resultando tempos de espera próprios de países de terceiro mundo com as consequências que dai advêm e, o Tribunal de Contas faz vista grossa.

Um Ministério Público que mobiliza recursos humanos de Corporações de Bombeiros e Unidades da Cruz Vermelha, para o transporte de cadáveres em ambulância apesar de tal estar legalmente vedado às ambulâncias e, em consequência da ausência de uma rede nacional de veículos de medicina legal ou contratação de empresas especializadas, contribui para o caos da Rede Nacional de Ambulâncias e, o tribunal de contas “nem aí”.

Uma rede de ambulâncias pensada pelas estatísticas em detrimento do direito à assistência médica e, onde em várias zonas do país é impossível uma ambulância ou viatura médica de emergência e reanimação chegar em menos de trinta minutos, tarde demais para situações de paragem cardiorrespiratória e, o tribunal de contas nem as mortes contabiliza.

Uma rede de viaturas médicas impossível de garantir face à escassez de médicos, ao invés da aposta na formação diferenciada das tripulações das ambulâncias de modo a libertar médicos e enfermeiros para as suas funções vocacionais intra-hospitalares e, o Tribunal de Contas faz de contas que tudo vai bem.

Um Tribunal de Contas que não elenca as improficuidades do Sistema Integrado de Emergência Médica, não contribui para a proficuidade desse sistema.

Seca Severa

Assistimos ano após ano a um mar de lamentações de seca extrema por parte da Administração Central do Estado, bem como das Administrações Autárquicas, contudo, tal é usado para a obtenção de apoios financeiros da União Europeia, tal como os incêndios, a pandemia, e tudo o que possibilite esta subsidiodependência, pois se assim não fosse, provavelmente o país teria assistido nas últimas duas décadas ao surgimento de um plano estratégico de armazenamento de água e de formas de atenuar a sua evaporação, ou mesmo da instalação de centrais de dessalinização de água para consumo, mas tal não aconteceu.

Boas práticas na Banda do Cidadão (para membros da APROSOC) continuação…

Em que canal me devo manter à escuta?

Legalmente o canal de chamada em Portugal é o 11, devendo ser este o canal onde se chamam outras estações ou se aguarda ser chamado por outras estações. Contudo, devido ao facto de noutros países este canal não ter qualquer função específica, é por vezes usado para conversações normais, tornando-o por vezes impraticável em Portugal, devendo por isso existir nas comunidades utilizadoras da banda do cidadão, canais informalmente definidos como secundários para chamada.

Constrangimentos

Por vezes a mãe natureza toma conta de um ou de todos os canais, fazendo com que através de fenómenos de propagação favorável nos cheguem comunicações originadas a milhares de quilómetros de distância, por vezes com sinais fortíssimos. Em alguns casos proporciona-nos também comunicar com essas estações, em outros, quando elas usam potências muito superiores às que nós usamos, apenas as conseguimos escutar e não nos conseguimos fazer ouvir.

Na maioria dos países que partilham as mesmas quarenta frequências mais usadas mundialmente da Banda do Cidadão (canal 1 26.965MHz e canal 40 27.405MHz), não existe um canal de chamada oficial, dai, muitas comunidades de utilizadores da Banda do Cidadão escolherem informalmente um canal para o efeito, o chamado canal (QAP), onde se encontram habitualmente.

Privilégios

Importa ter presente que, com exceção da mãe natureza, ninguém tem privilégios especiais sobre quaisquer canais, devendo por isso sempre que possível imperar o bom senso e a cooperação entre todos os usufrutuários da banda do cidadão.

Recomendação

Entre membros da APROSOC, a recomendação é de que nos mantenhamos tendencialmente em canal 11 em tempo de normalidade, ou seja, quando não vigore qualquer Estado Especial de Alerta na região e, caso este esteja impraticável, que se use tendencialmente o canal 12 e como alternativa o 10, tendencialmente em AM com recurso a FM sempre que necessário para a comunicação ter a qualidade necessária à melhor compreensibilidade (idealmente modulação de frequência ajustada pelos serviços técnicos da Associação a 2.2KHz).

Caso qualquer um dos canais preferenciais se encontre ocupado ou fortemente interferido, os membros da APROSOC devem correr os canais em busca de outros colegas em conversação (QSO), contudo, para facilitar não só o encontro bem como o ajuste de otimização das antenas, apenas usamos os canais 1 a 23 (alusivamente ao início da banda do cidadão com apenas 23 canais).

Estado de Alerta Especial

Sempre que vigore Estado de Alerta Especial na Região, todos devem permanecer em canal 9 AM, sendo que caso o motivo de chamada de outra estação naquele canal não seja de segurança ou emergência, a mesma não deverá idealmente durar mais de 8 segundos, por exemplo: “(OÁSIS 255, OÁSIS 255(estação chamada), canal X, canal X (X=canal previamente verificado como livre).

Existem equipamentos com modo de escuta dupla (DW – Dual Whatch), que possibilitam por exemplo a escuta automaticamente alternada entre dois canais, por exemplo o 11 e o 9, messe caso, caso saiba que a estação com quem pretende contactar tem um desses equipamentos e, a sua comunicação não é de segurança ou emergência, opte por chamar em canal 11, ou noutro em que ela possa ter indicado estar em stand by.

Ponto de encontro
Em caso de desastre na zona, o ponto de encontro deve ser o canal 9 AM/FM sem prejuízo de se passar a outro canal livre para não ocupar o 9 para tráfego não urgente. Após terminada a comunicação noutro canal deve regressar-se a canal 9, ficando à escuta para a eventualidade de alguém naquele canal solicitar ajuda ou mesmo socorro.

Alcance

A CB (citizens band), é um meio de comunicação idealizado para comunicações de curto alcance, entre os 50 metros (com obstáculos) e os 6 Km (em campo livre de obstáculos) dependendo também do tupo de estação (móvel, portátil oi fixa), e antena.
Tudo o que seja para além de 6 Km em linha reta é uma benesse com a qual as comunidades locais usufrutuárias da CB não devem contar permanentemente, embora possam ocorrer até com alguma regularidade em condições favoráveis, mas, não sendo garantido.

A CB VS PMR446 (personal mobile radio)

A CB não é substituída pelo PMR446, nem vice-versa. Demonstrações práticas têm evidenciado o facto de que por vezes se consegue comunicar em PMR446 e não se consegue em CB, e vice-versa. Neste contexto, a comunicação local implica sempre idealmente dispor de ambos os meios que são particularmente úteis na coordenação de atividades familiares, comunitárias, até mesmo de entreajuda onde as telecomunicações de acesso público não existem ou falharam.

Por este motivo, na APROSOC consideramos que qualquer voluntário de Proteção Civil, só está apto para o exercício dessa atividade, ainda que somente no seio da sua comunidade, se dispuser de pelos menos estes dois meios de radiocomunicação e, que tal só terá utilidade se, tiver outros membros do seu agregado familiar dotados dos mesmos meios, que aliás, devem integrar o kit individual de emergência.

A importância das radiocomunicações na comunidade

Uma família ou uma qualquer outra comunidade local sem alternativa de comunicações quando falham as telecomunicações de acesso público, estará muito provavelmente mais vulnerável que outras comunidades em contacto permanente. No nosso quotidiano estamos dependentes dos telemóveis mas, sem eles, sentimos-mos “amputados”, tal como nos sentimos com eles nos locais onde não há rede. O mesmo sucede com comunidades e famílias que têm estes meios alternativos de comunicação ,mas que não exercitam regularmente a comunicação através deles, pois quando necessário a eles recorrer, alguns estarão sem energia, outros avariados, outros com deficiências de instalação ou, simplesmente não se recordam como se utilizam ou em que canal devem operar.

Recorda-se que este artigo de opinião, embora público, destina-se aos membros da APROSOC.

ALDEIAS SEGURAS (continuação)

  1. Em 2006 a Lei de Bases de Proteção Civil 27/2006 considera no seu artigo 43 a possibilidade de criação pelas comissões municipais de proteção civil de ULPC;
  2. Em 2007 a Lei 65/2007 que define o enquadramento institucional e operacional da proteção civil no âmbito municipal, estabelece a organização dos serviços municipais de proteção civil e, considera no seu artigo 8º as ULPC;
  3. Em 2015 através da Revisão da Lei de Bases de Proteção Civil, o Governo reconhece a existência de organizações de voluntariado de proteção civil de base particular e, em 2017 regulamenta-as através da portaria 91/2017;
  4. Em 2018, inspirado na recomendação da APROSOC para um programa “aldeias resilientes” o Governo cria à margem das ULPC e das OVPC o programa “Aldeias Seguras e Pessoas Seguras” criando assim uma carta fora do baralho, desincentivando assim em nossa opinião, a constituição e desenvolvimento das ULPC, naquilo que deviam ser também as suas funções no vasto leque de tarefas que lhes podem competir;
  5. Em 2019 na sequência de diversos apelos da APROSOC e não só, o Governo reforça através do Decreto-Lei 44/2019 a necessidade de se constituírem ULPC;
  6. Nenhuma destas ações governativas foi acompanhada do indispensável pacote financeiro, exceto no Programa Aldeias Seguras e Pessoas Seguras, a questão que se coloca nomeadamente aos tribunais competentes é, porquê?

Em nossa convicção os sucessivos governos têm sofrido de uma desorientação para a eficácia das respostas de proteção civil e, privilegiado negócios em detrimento de soluções que envolvam efetivamente os cidadãos, as empresas e as autarquias locais.

A falta de diálogo entre as estruturas da Administração Central do Estado, autárquica, local e as Organizações desinteressadamente dedicadas ao estudo e propostas conducentes a atividades de Proteção Civil proficientes, ou não existem, ou não são tidas em conta, dai resultando um conjunto de despautérios e aparentemente negociatas muito úteis a alguns interesses privados, mas funestas ao interesse público no que à proteção civil é atinente.

Não faz sentido algum este programa Aldeias Seguras e Pessoas Seguras se não for pelo marketing político, defendemos a criação obrigatória e o financiamento das ULPC, bem como o envolvimento das OVPC e, integração das tarefas desses programas nestas organizações.

Não faz qualquer sentido ter um programa que aborda somente uma das géneses dos riscos (os incêndios), quando existem inúmeras outras géneses de desastres. Fará sim todo o sentido que tudo isto seja pensado no âmbito da “disciplina” de proteção civil, sem excluir sequer a emergência médica a nível local, outra grave lacuna do nosso sistema cujo seu mau funcionamento faz regularmente vítimas, neste país de faz de conta que tudo está bem e seguro.

Artigo de Opinião
João Paulo Saraiva
Presidente da Direção

Programa “Aldeias Resilientes” da AVIPG é uma deturpação do programa original desenhado pelos técnicos da APROSOC – Associação de Proteção Civil

O programa “Aldeias Resilientes” implementado pela Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrogão Grande (AVIPG) em 2019, é uma deturpação do programa original concebido pelos técnicos da APROSOC e validado pelos participantes no seminário coorganizado entre ambas as Associações em 14 de outubro de 2017.

O programa original não atentava somente aos riscos atinentes aos incêndios, mas sim a todos os riscos no âmbito da proteção civil incluindo a incapacidade de resposta atempada aos casos de emergência médica, com a equipagem das aldeias com equipamentos de socorro em suporta básico de vida e desfibrilhação automática externa.

O programa implementado fere ainda o programa original pelo facto de não integrar as equipas de autodefesa das aldeias em Unidades Locais de Proteção Civil (ULPC) das Juntas ou Uniões de Freguesia, ou em Organizações de Voluntariado de Proteção Civil (OVPC), retirando assim o programa, tal como o governo fez com o falacioso programa Aldeias Seguras, do que estava legislado, as ULPC e OVPC, criando-se portanto programas de legalidade ou pelo menos lógica duvidosa fora da filosofia legal de base para o efeito.

Importa esclarecer que as equipas criadas não estão dotadas de vias de radiocomunicação tática, nem a sua coordenação tem vias de coordenação estratégica caso falhem as telecomunicações de acesso público, ou seja, uma vez mais um projeto de faz de conta que possibilita novas tragédias envolvendo estas equipas sejam elas “equipas de autodefesa das aldeias”, sejam elas “das aldeias seguras e pessoas seguras”. Cria-se na prática uma falsa sensação de segurança que na realidade pode não existir.

Pedrogão Grande, Castanheira de Pêra e, Figueiró dos Vinhos, continuam sem Unidades Locais de Proteção Civil e sem acréscimo de segurança comparativo aos que existia em 2017 em muitas aldeias daqueles concelhos. As vítimas de paragem cardiorrespiratória em algumas localidades (Alge, por exemplo) continuam a ter a certeza de que morrem antes de lá chegar uma ambulância que não chega em tempo útil, sem que alguém tenha sido preparado naquela aldeia ou próxima para assegurar o suporte básico de vida com recurso ao desfibrilhador automático externo para ganhar tempo até chegada de ambulância, viatura médica ou helicóptero.

O país continua a desperdiçar verbas em programas avulso, que deveria concentrar em programas de facto pensados por especialistas. O Programa Aldeias Resilientes da AVIPG nada tem, portanto, a ver com o desenhado pela APROSOC sendo uma deturpação que pode até ter nexo para quem dele participou no âmbito da vertente dos incêndios, mas que não responde às necessidades das pessoas por ele servidas e que em nossa convicção mais cedo ou mais tarde fará inevitavelmente novas tragédias.

Compreendemos  as fortes convicções das entidades envolvidas, mas não validamos tal programa como eficaz e eficiente, pelo contrário.

Notícia de 2019 sobre o assunto

Incêndios: Projeto “Aldeias Resilientes” em Pedrógão Grande devia ser replicado, diz associação

Artigo de opinião
João Paulo Saraiva
Presidente da Direção da APROSOC
Coordenador do grupo de trabalho do Projeto “Aldeias Resilientes”

Créditos Fotográficos: Observador

“ALDEIAS SEGURAS E PESSOAS SEGURAS” SÃO UM DESINCENTIVO AO CUMPRIMENTO DA LEI

Ao invés de promover as Unidades Locais de Proteção Civil, o atual Governo tem promovido formas de contornar essa solução de eleição para a autoproteção das populações. Ao implementar nas aldeias estes programas que muito pouco acrescentam à segurança e capacidade de autoproteção dos cidadãos, o Governo gera uma sensação de segurança e de proteção que na realidade não existe, pelo simples facto de que não consegue garantir aos cidadãos que ligam 112, que vão ter resposta atempada de meios de socorro. Tal situação deixa em muitos casos esses cidadãos à mercê da própria sorte.

A ação de sensibilização no programa de propaganda política “aldeias seguras, pessoa segura” deveria estar integrada num programa nacional estratégico de Unidades Locais de Proteção Civil, ao invés de surgir como um remendo que atesta a incapacidade governativa para pôr em prática o que está legislado ao mesmo tempo que desincentiva inequivocamente o cumprimento do disposto no Art.º 8º da Lei 65/2007, bem como Art.º 8º do Decreto-Lei 44/2019.

É necessário acabar com esta estratégia de remendo e faz de conta e apostar no que de mais racional está legislado.

João Paulo Saraiva
Presidente da Direção

ARTIGO DE OPINIÃO: PRESIDENTE DA APROSOC “DESMENTE” LIGA DOS BOMBEIROS PORTUGUESES

Lamentavelmente sou forçado a desmentir o Sr. Comandante Carlos Gomes que em representação da Liga dos Bombeiros Portugueses na Sic Notícias há 4 dias, cometeu incorreções factuais.

As suas declarações começam muito bem até ao momento em que afirma que mais de 90% das viaturas das corporações de bombeiros não foram comparticipadas pelo Estado, pois bem, esta declaração é totalmente falsa nos termos e pelos factos seguintes:

1º O Estado é um território com fronteiras delimitadas e reconhecidas internacionalmente, com o seu povo, e um governo;

2º A Administração Central do Estado é do Estado mas não é o Estado;

3º As autarquias gozam de parcial autonomia financeira da Administração Central do Estado, mas dependem das verbas transferidas pela Administração Central do Estado;

4º Sendo os cidadãos e todas as entidades públicas e privadas parte do Estado, pode concluir-se que, não existe nenhuma viatura que tenha sido adquirida sem comparticipação do Estado, seja através de subsídio da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, seja através de donativos dos cidadãos e/ou empresas, seja por subsídio das autarquias locais enquanto extensão da administração central do Estado;

Reitero que, é, portanto, falso o que sobre o assunto foi afirmado pelo Sr. Comandante em Representação da Liga dos Bombeiros Portugueses e que, em bom rigor o mesmo se passa com os quarteis de Bombeiros, ou seja, a qualquer momento poderá a Administração Central do Estado, declarar a Nacionalização (perda do património a favor do Estado) das Corporações de Bombeiros porque, na realidade quase tudo quanto integra o património das Associações de Bombeiros foi financiado pelo Estado independentemente da percentagem de comparticipação ou não por parte da Administração Central do Estado, foi financiado pelo Estado, ainda que através das receitas próprias dos serviços cobrados aos utentes ou ao Serviço Nacional de Saúde, também ele parte integrante do Estado.

Tenho pelo Sr. Comandante – Carlos Gomes, uma enorme estima, consideração e admiração pelo trabalho desenvolvido, não podendo contudo, no cumprimento dos fins estatutários da Associação a que presido,  estar minimamente de acordo com esta parte das declarações proferidas, respeitando contudo diferentes opiniões.

João Paulo Saraiva
Presidente da Direção da APROSOC

A política de proteção civil do atual Governo não está totalmente errada, mas é, contudo, “criminosa”

Enquanto “brincamos” às “aldeias (IN)seguras e pessoas (In)seguras” continua a morrer gente e animais, os operacionais continuam sem qualquer controlo de segurança e saúde no trabalho, são carne para canhão que acumulam flictenas nos pés e outras lesões, numa área profissional onde deliberada e criminosamente a Autoridade para as Condições no Trabalho não atua, para não por a nu tudo o que de quão criminoso está em vigor tantos nos Bombeiros, quanto nas Forças Armadas e Forças de Segurança, já para não falar do mal amado INEM enterrado até ao pescoço em interesses instalados e em escravidão laboral e perseguição das vozes incómodas.

Com a atual política de António Costa e seus “irmãos de avental” nada de significativo mudará para melhor, e nada se fará que não sirva para promover alguém a um lugar de destaque, preferencialmente em Bruxelas.

Programas que para pouco mais servem que para alimentar negócios de amigos, mas que pouco servem para proteger as pessoas. Ausência de pacotes financeiros de incentivo à constituição, equipagem e operacionalização das unidades locais de proteção civil, determinam a incapacidade de resposta adequada e atempada em missões auxiliares (por exemplo de rescaldo) que os operacionais da primeira linha se vêm obrigados a abandonar nos incêndios  para procurar salvar outras habitações em risco e de que, à “rabanada” de vento seguinte resultam em mais uma projeção, mais um foco de incêndio secundário ou reacendimento, e que deita a perder todo o trabalho realizado pela primeira linha.

Não há bombeiros, não há militares, não há forças de segurança algumas com capacidade numérica e energia suficiente face ao número, dimensão e potência dos incêndios rurais nos dias mais críticos. Sem o envolvimento coordenado dos cidadãos através das unidades locais de proteção civil, eventualmente em articulação com organizações de voluntariado de proteção civil, nas próximas décadas continuaremos a contar cadáveres de pessoas, animais, habitações destruídas, e alguém continuará a afirmar que, “os incêndios foram bons para a economia” deste país subsídio-dependente da União Europeia onde impera o “coitadísmo” para obter condescendência no cumprimento das metas do défice e bazucas financeiras, enquanto os cofres do estado arrecadam IVA, IRC e IRS resultante das operações de reconstrução de tudo o que o fogo levou.

O Governo, seja ele qual for, seja qual for a cor política ou a ordem de avental transversal a todas as cores, é culpado de cada perda de vida humana, animal ou bens, mas da culpa à responsabilidade vai uma grande distância, pois a culpa resultante da inércia e inépcia é uma coisa, mas a assunção de responsabilidades, essa recai sempre sobre os mesmos, os contribuintes.

Estamos perante um Governo que não é capaz de impor multas dissuasoras de comportamentos de risco de incêndio, não é capaz de impor sequer a quem atira beatas de cigarros pela janela da viatura a perda de pontos na carta. Um Governo umas vezes de meias medidas em alternância com as medidas nenhumas.

As autarquias continuam de costas voltadas para as Organizações de Voluntariado de Proteção Civil (OVPC), a estrutura nacional de Proteção Civil, continua a não ser capaz de responder adequadamente na gestão e coordenação de meios, ou sequer de utilizar para o efeito todos os recurso de radiocomunicações que têm à disposição e que poderiam ser operacionalizados por voluntários da OVPC com elevados benefícios na gestão de meios. Estas OVPC continuam a suportar os cursos de seguros, combustíveis, alimentação e tudo mais que implica sua atuação no terreno, ou seja, existir existem, mas para pouco mais servem do que para as estatísticas.

É incomensurável a inépcia de que resulta o subaproveitamento dos recursos de radiocomunicações colocados pelos contribuintes à disposição dos serviços e agentes de emergência e proteção civil, tal como incomensurável é a inépcia política no que à Proteção Civil é atinente, pese embora o facto de existirem pessoas muito competentes na estrutura.

Muito mais haveria a dizer, mas o texto já vai longo e a paciência do povo para textos longos começa a ser escassa, tal como o crédito dado às políticas de proteção civil de um Governo que continua a ter a desfaçatez de pedir a confiança dos cidadãos nos serviços e agentes de emergência e proteção civil, enquanto o número de mortes, feridos e perdas materiais se amontoa.

Artigo de Opinião de: João Paulo Saraiva
Presidente da Direção da APROSOC

Autarquias são as principais responsáveis pela gravidade dos incêndios

Apesar dos esforços legislativos desenvolvidos e de que resultam alguns diplomas legais de que se destaca o Decreto-Lei 44/2019, a maioria das autarquias continua sem implementar as Unidades Locais de Proteção Civil, muitos autarcas nem sabem bem qual a sua utilidade e o resultado está à vista.

De causa antrópica ou natural, os incêndios sempre existiram e vão continuar a existir e, nunca existirão nos agentes de proteção civil recursos técnicos e humanos, suficientes e capazes de fazer a primeira intervenção atempada e assegurar a consolidação do rescaldo de modo a evitar reacendimentos resultantes de projeções ou novas ignições.

A atual situação é de marginalização dos cidadãos que querem proteger o que é seu ou do seu vizinho, contudo, ainda que seja para realizarem trabalhos de consolidação de rescaldo têm de andar a esconder-se por caminhos secundários para fugir ao controlo das forças policiais. Muitos destes cidadãos têm ferramentas e equipamentos que lhes possibilitam dar um importante contributo nas operações de combate aos incêndios, contudo, proibidos de circular em áreas por vezes já ardidas e em que as forças de combate aos incêndios já abandonaram para responder a outras situações, são por vezes colocados à distância como espectadores a observar o que é seu a arder apenas porque não lhes possibilitaram participar nas operações de rescaldo.

Estes cidadãos deveriam estar integrados nas Unidades Locais de Proteção Civil de cada freguesia, ser apoiados com ações de sensibilização conducentes à sua segurança durante as operações de rescaldo como de apoio às tripulações de veículos das forças que combatem os incêndios, sob a supervisão e às ordens de cada chefe de equipa de modo a ser garantida a sua segurança.

Ninguém conhece melhor a sua propriedade que o proprietário, ninguém conhece melhor os caminhos e atalhos do que aqueles que lá moram, ainda assim são colocados como expectadores à distância, enquanto forças que por vezes vieram de locais a centenas de quilómetros de distância vão combater um incêndio num local que não conhecem, por caminhos que desconhecem, expostas por vezes a perigos que não vislumbram.

Se é verdade que muitos Presidentes de Junta ou União de Freguesias não tomam a iniciativa de constituir Unidades Locais de Proteção Civil, não menos verdade é o facto de que muitas vezes essas propostas são reprovadas por Presidentes de Câmara ou mesmo em Assembleia Municipal.

Aqueles que têm por missão o combate aos incêndios também são humanos, também precisam de apoio, também ficam com os pés lastimados dentro daquelas botas de bombeiros, também precisam da ajuda dos voluntários de proteção civil das Unidades Locais de Proteção Civil, para os encaminharem, para os alertarem dos perigos locais, para lhes indicarem pontos de água, para lhes doarem algum alimento ou água potável para poderem continuar a combater um inimigo tão desigual mas, sem este apoio ora popular e marginalizado que se deseja organizado em Unidades Locais de Proteção Civil, nada do que de pior se observa nos incêndios (número de ignições, duração, extensão e prejuízos) se alterará.

É sabido que o interior têm muitas pessoas idosas e incapazes de integrar as Unidades Locais de Proteção Civil, mas existe ainda gente capaz que não integrada faz apenas parte do problema quando poderia ser parte da solução.

Artigo de opinião de: João Paulo Saraiva
Presidente da Direção da APROSOC

APROSOC – AÇÃO SOCIAL

Alguns voluntários da APROSOC colaboram regularmente através de uma parceria entre esta Associação e algumas Instituições Particulares de Solidariedade Social, na recolha, acondicionamento, assemblagem e distribuição de bens essenciais.

Esta ação solidariedade da APROSOC está-lhe intrínseca desde a sua génese e é uma das faces menos visíveis da Associação que raramente trazemos a público, mas que, não podemos deixar de o fazer, como forma de singelo agradecimento aos nossos voluntários, homens e maioritariamente mulheres que a troco de nada se disponibilizam para ajudar os mais necessitados.

Na imagem duas das nossas voluntárias a acondicionar produtos de pastelaria para distribuição a quem deles necessita e que se não tivessem este aproveitamento acabariam provavelmente no lixo.

Um agradecimento especial às nossas voluntárias deste mês, a Lizandra (OÁSIS 246), a Cristiana (OÁSIS 248) e a Maria (OÁSIS 249).

Bem hajam sempre em prol dos que mais necessitam da nossa ajuda