Radioamadores, Rádio-Operadores e as situações de exceção ou emergências

A esmagadora maioria dos Radioamadores e dos Rádio-Operadores em Portugal continental, quando ocorrem situações de exceção, acidente grave ou catástrofe com falha das telecomunicações de acesso público, não manifestam disponibilidade para prestar serviço público e altruísta, é um facto. Outra afirmação factual é de que os escassos Radioamadores e Rádio-Operadores que manifestam disponibilidade, não estão organizados numa plataforma de âmbito nacional, que lhes permita ter acesso às necessidades e manifestar as suas disponibilidades e, isto fica essencialmente a dever-se a uma característica sociológica da sociedade portuguesa de Portugal continental. A nível local existe alguma organização, em associações de âmbito local, ainda assim descontextualizada das necessidades reais e das linhas filosóficas de entreajuda organizada nos seus conceitos mais universais e não necessariamente mais alinhados com as políticas de proteção civil nacionais.

No recente comboio de tempestades, muitos foram os Radioamadores e Rádio-Operadores que estiveram no terreno a prestar auxílio, contudo sem que exista um plano consensual de comunicações que os ligue a todos e assim possibilite a convergência e coordenação de esforços, pois de outro modo, chega a acontecer que uns estão a curtas distâncias de outros, mas sem saberem que o estão.
A solução é simples, bastaria que se ultrapassassem as barreiras bairristas e clubísticas e, todos se sentassem à mesma mesa, com mente aberta e a humildade de ouvir os mais experientes nestas ações e, chegarem a um consenso de plano nacional de radiocomunicações de emergência que possibilitasse ligar todos face a cenários de exceção, acidente grave ou catástrofe, contudo, os orgulhos e egos de alguns impossibilitam uma solução como as que vigoram por exemplo nas regiões autónomas dos Açores ou da Madeira e, todos têm a perder com isso. Tal como as coisas estão, provavelmente tal só aconteceria se a iniciativa fosse externa às Associações existentes, por exemplo por parte da ANACOM ou da ANEPC, mas para isso seria necessário que essas entidades estivessem prontas a admitir que o pais necessita desta ajuda, algo que dificilmente ocorrerá, pelo que, estamos condenados à divisão dos quintais instalados e com isso, à ação divergente ao invés da desejável ação convergente, pois, entre a razão e os egos insuflados, ganham os egos insuflados de vazio.

É caso para se dizer que, quem conseguir vencer esta batalha merece uma estátua, que provavelmente nunca será erguida ou, pelo menos nos tempos mais próximos.