Há mais de 20 anos a interferência de que os radioamadores sofrem provocada pela distribuição da televisão por cabo nos 145.750Mhz entre outras frequências, é a assunção da perda da autoridade do Estado ou, se preferirmos, da venda a autoridade do Estado aos grandes grupos económicos.
Os radioamadores são também por si só uma incomensurável parte do problema, os planos de banda passaram a ser meramente decorativos, as larguras de banda algo tudo como facultativo, as radiações não essenciais algo que ficou preso num passado distante e, as boas práticas de rádio operação algo que a legislação vigente não versa e os exames atuais não contemplam.
A anarquia nas radiocomunicações atingiu o ponto de não retorno à normalidade. Continuaremos a pautar pela ética e boas práticas de operação, contudo, face aos constrangimentos de que pagando ou não taxas de utilização que deveriam conferir direito de proteção na realidade ninguém nos protege e quando somos interferidos temos de ser nós a identificar a interferência e tentar resolvê-la, peço-vos que se me voltarem a ouvir ou ver defender a legalidade nas radiocomunicações me relembrem do teor deste comunicado.
A anarquia e a bandalheira está instalada e nem o Ministério Público atenta às ilegalidades denunciadas, eventualmente por inépcia mas, seja lá pelo que fôr para a APROSOC é o fim da linha na defesa da legalidade nas radiocomunicações, afinal de contas, foram 10 anos de serviço público a troco de nada.
Doravante não importa com que potência operam em CB, na maioria das vezes com as potências legais em CB nem o ruído das interferências locais geradas por PLCs e outros parasitas eletrónicos se supera, sendo por isso compreensível que se excedam os limites contemplados numa legislação obsoleta elaborada por técnicos de secretária que ignoram a realidade fora da sua “bolha” teórica.
Somos aquele país que atribui isenção de taxas de licença radioelétrica para as atividades desportivas de voo livre e outras, mas que reiteradamente recusa o mesmo procedimento para o voluntariado de proteção civil e outras atividades de superior interesse público e, quando aqui se chega atesta a total inversão de valores.

