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Crónica de João Saraiva: a legalidade vs pirataria nas radiocomunicações

O programa de radiocomunicações cidadãs da APROSOC é o único que têm um código de conduta que apela ao cumprimento da legalidade, motivo pelo qual é de entre todos os outros que se encontram no ciberespaço, aquele que tem menos aderentes. A maioria dos utilizadores dos meios de radiocomunicações cidadãs não são adeptos do cumprimento das Leis e do respeito pelos demais usufrutuários do espectro radioelétrico, optando facilmente por uso de potências acima das legalmente permitidas, facto que muito prejudica os utilizadores cumpridores dos limites impostos pela legislação vigente. É até frequente o argumento de que, “sem recurso a mais potência que a legalmente permitida não se chega a lado nenhum”, mas ignoram essas pessoas que a finalidade das radiocomunicações cidadãs são as comunicações locais e que, sempre que tal é ultrapassada dentro dos limites da legalidade, é uma exceção concedida pela natureza.
Na APROSOC pautamos pela legalidade e pela harmonia no usufruto do espectro radioelétrico.  

73 e Harmonia nas radiocomunicações

João Paulo Saraiva
#01 | CT1EBZ

Rede APROSOC em constante movimento

Caros seguidores

Posteriormente ao surgimento da APROSOC, algumas Associações de radioamadores vislumbraram através do crescente movimento de utilizadores de rádios CB e PMR446 um potencial manancial de reforço das suas receitas, tendo tentado dar alguns ares de sua graça em CB e PMR446, geralmente “sol de pouca dura”, contudo, rapidamente aqueles que não são e não pretendem ser radioamadores se desiludem por compreenderem que as Associações de Radioamadores só estão vocacionadas para os que são ou pretendem ser radioamadores, o que reforça a razão de existência da APROSOC, a única Associação duplamente vocacionada ou, até mesmo eventualmente mais vocacionada para as radiocomunicações cidadãs (livres de taxas e licenças) do que para o radioamadorismo dos concursos 5-9+.

Há apenas em todo o país duas Associações que estatutariamente contemplam os utilizadores do PMR446 e de todas as bandas de uso livre e, apenas esta promove a comunicação em CB, PMR446, LPD433, SRD860, SRD2.4.

Tem sido com muita dificuldade que temos trabalhado em prol do desenvolvimento das radiocomunicações cidadãs, pois o surgimento de areia na engrenagem por parte de organizações mais antigas, nomeadamente Associações de radioamadores é uma constante, mas a paixão que nos une tem-nos permitido superar, resistir, mesmo apesar de surgirem grupos informais que beneficiam desse trabalho realizado e que nada contribuem para a sustentabilidade das Associações, pelo contrário.

A rede APROSOC perdurará no tempo para além dos seus mentores e fundadores e, está em constante movimento e crescimento.

Agradecemos assim a quem nos apoia e compreende o movimento associativo.

EXERCÍCIOS DE RADIOCOMUNICAÇÕES CIDADÃS

Quando em 2015 a APROSOC deu início aos exercícios de radiocomunicações cidadãs e, em 2017 os intensificou para semanais, nenhuma outra entidade ou grupo informal tinha qualquer atividade semanal em CB ou PMR446 e, em 2018 estendemos estes exercícios às frequências de radioamador. Em 2021 a APROSOC volta a alargar os exercícios de treino de radiocomunicações cidadãs, desta vez ao LPD433, possibilitando aos utilizadores de rádios desta norma, por um lado testar as potencialidades e reconhecer as limitações e, por outro lado, reconhecer o número de utilizadores nas imediações.

O LPD433, funcionando dentro da banda de UHF consignada aos radioamadores, possibilita em alguns dos seus 69 canais escutar radioamadores e, embora não seja lícito comunicar com eles, possibilita compreender o que é o diálogo de radioamadores.

Na CB 27, no PMR446 e no LPD433, bem como em frequências de radioamador e frequências privativas, os exercícios dos domingos de manhã vieram para ficar, estenderam-se à comunidade montanhista, aos praticantes de atividades ao ar livre, aos praticantes de voo livre, dos mais jovens aos seniores não reconhecendo barreiras geracionais, de convicções, preconceitos ou crenças. Estes exercícios unem pessoas em torno de uma paixão comum, a radiocomunicação e, ajudou a combater o isolamento social causado pela necessidade de distanciamento físico imposto pela pandemia COVID-19.

Para 2022 a APROSOC tem outras inovações na agenda, mas o ano ainda não acabou e o levantamento das restrições poderá possibilitar ainda um conjunto de outras atividades que a pandemia veio suspender.

Queremos continuar a contribuir para o desenvolvimento das atividades nas radiocomunicações cidadãs, para o aumento da comunidade utilizadora destes meios de radiocomunicação e, para que de toda esta atividade para além dos benefícios físicos e psicológicos, resulte ainda utilidade pública na aplicabilidade em casos de emergência face a situações de acidente ou catástrofe, quando as telecomunicações de acesso pública falham ou nem sequer alguma vez existiram.

Começámos por estar tendencialmente em canal 8 em PMR446, passando em seguida ainda em 2015 para o canal 7, em 2020 andámos pelo canal 2 e 6, e mais recentemente para evitarmos perturbar a esmagadora maioria do tráfego profissional, mas também para evitar interferir com iniciativas mais recentes, passámos a estar em canal 16, o mesmo canal em que passámos a estar também em CB e LPD433, sem prejuízo de usarmos os canais que melhor nos aprouver, dentro das regras legais e do espirito de harmonia na cohabitabilidade do espectro radioelétrico.

Continuamos a contar contigo, de norte a sul de Portugal continental, porque, todos precisamos de todos.

Por vezes ficamos frustrados por não conseguir contactar alguém via rádio…

Artigo de opinião
Autor: João Saraiva

Por vezes as disponibilidades não coincidem e por isso mesmo localmente não conseguimos contactar ninguém, por isso todos os domingos de manhã onde quer que estejam os membros da Rede 73, ligam os seus rádios e tentam chamar, porque se ninguém tiver a iniciativa de chamar não há probabilidade de contacto. Fruto desta regularidade esporadicamente encontramos um vizinho e assim aumentamos a nossa lista de contactos locais.

Quanto às comunicações a maiores distâncias as frustrações também são frequentes, pois muitas vezes estamos a ouvir bem a outra estação e ela não nos responde e, para isso existem várias explicações possíveis, entre elas:

  • Tem o squelch (sistema de silenciamento de ruído natural da frequência) ou o ganho de RF muito fechado e por isso não recebe estações mais distantes;
  • Está a transmitir com potência superior aquela que estamos a utilizar;
  • A sensibilidade do recetor da outra estação é inferior à do seu recetor;
  • Está a operar equipamento portátil com antena reduzida;
  • Tem o equipamento portátil em posição desfavorável;
  • Tem uma fonte de interferência local ou distante que impossibilita a receção de outras estações distantes;
  • Está a transmitir com antena direcional em direção oposta;
  • A antena da outra estação tem mais ganho do que a sua;
  • Está a usar uma antena com características para comunicações locais;
  • Está em viatura e a direccionalidade da antena em relação à carroçaria da viatura dificulta a receção em determinada direção.

Existem assim diversas causas potenciadoras de episódios de frustração nas radiocomunicações, contudo, são essas desilusões que nos possibilitam valorizar as situações em que alcançamos melhores resultados, bem como são também elas que nos propiciam aprendizagem de algumas técnicas que eventualmente possibilitem ultrapassar alguns desses constrangimentos.

Tenha ainda em atenção que o problema nem sempre está do outro lado, uma antena desafinada pode provocar atenuação significativa na potência emitida pela sua estação e, se a relação de ondas estacionárias (potencia refletida para o emissor) for muito elevada, além de reduzir substancialmente o seu alcance pode danificar o transístor amplificador final de potência do seu rádio. Por outro lado, se as características do seu equipamento não se adequarem à sua tonalidade e nível de voz, embora chegue à outra estação a sua voz pode ser menos percetível ou mesmo impercetível, importando por isso ao adquirir um equipamento falar com um vendedor especializado que o saiba aconselhar sobre o equipamento mais adequado ao seu tipo de voz, bem como eventualmente propor-lhe ajustes de otimização do equipamento sem sair dos limites legais. Alguns equipamentos mais sofisticados possibilitam mesmo ao operador ajustar o ganho de microfone ou mesmo a tonalidade de áudio na emissão, sendo geralmente estes equipamentos também mais dispendiosos.

Outro comum fator de perturbação é o uso de eco, tanto próprio do espaço, como de dispositivos que o geram no seu equipamento rádio ou microfone acessório com eco, quando o eco é exagerado ou coincide com determinada sobreposição de frequências audíveis, a compreensibilidade é reduzida e por vezes mesmo anulada. Tenha sempre em conta que do outro lado pode estar alguém com problemas auditivos e por isso incapaz de descodificar determinadas tonalidades de voz, sendo o eco um constrangimento na comunicação que se pretende isenta de ruídos.

Associe-se numa Associação especializada em radiocomunicações e ajude a comunidade de amadores de rádio a desenvolver as suas atividades e a partilhar conhecimentos úteis.

www.aprosoc.pt

CB (citizens band) Banda do Cidadão, a aprendizagem e a desaprendizagem

Há duas correntes na banda do cidadão, a resultante do filme de 1978 que passou em Portugal com o nome “o comboio dos duros” (convoy) e que pauta pelo uso exagerado de um calão próprio do desrespeito pela autoridade do Estado e pela justiça popular, e a corrente mais assertiva e cordial originária na série televisiva que em Portugal conquistou adeptos com o nome  “os 3 Dukes” de seu nome original The Dukes of Hazzard, que pautava pela correção e diversão embora contendo algumas “divertidas” cenas de violência que para a época faziam parte da forma de fazer comédia, esta era de facto uma série de comédia para toda a família.
Entre o filme e série acima citados existiu ainda uma outra série “bandit”, também de comédia e contorno da autoridade do Estado, enquanto que a série os 3 dukes retratava essencialmente a desonestidade da autoridade do Estado para com o cidadãos, no caso num condado de um Estado dos Estados Unidos da America no final dos anos 70.

Em Portugal essas correntes perduram até aos dias de hoje, existindo canais CB onde geralmente operam maioritariamente aqueles que desafiam a autoridade do Estado com recurso a potências exageradas para compensar a ineficiência dos seus equipamentos, linhas de transmissão e antenas, usando geralmente um calão lesivo da língua materna, geralmente praticado por pessoas cujo grau de escolaridade e cultura é mais reduzido, sendo estes canais uma escola de desaprendizagem da correção de uso dos procedimentos radiotelefónicos mais profícuos, fazendo-se desses canais uma espécie de taberna onde se confraterniza sob a inebria das ondas de rádio, sendo esta a corrente “convoy”.

Mas a corrente “the dukes of hazzard” também está presente em muitos outros canais da CB onde se pauta pela educação e correta utilização da língua materna (da pátria mãe), procurando-se que a comunicação via rádio tenha tanto de divertida, até mesmo de comédia, quanto de técnica, científica, e por isso com outras aplicabilidades nomeadamente em emergências face a acidentes graves ou catástrofes, em tudo o que se relacione com a segurança e bem estar dos cidadãos.

Este artigo não pretende denegrir ou ofender quem quer que seja, somente situar as duas correntes genéticas do que observa em Portugal e também noutros cantos do mundo na banda do cidadão dos 27MHz, possibilitando desde logo a quem está a pensar entrar ou entrou recentemente neste hobbie, compreender que pode optar por uma das correntes, ou mesmo optar por ambas, uma espécie de bi-orientação hobista, ou divisão indecisa entre o certo e o errado (ética) geralmente atribuído ao não enquadramento civilizacional, vulgarmente atribuído aos estágios do Homem ante civilização.

Poder-se assim dizer em jeito de comédia que, quem está a pensar entrar no mundo do crime no sector público poderia escolher a Assembleia da República, e no sector privado certos canais da banda do cidadão, isto não quer dizer que os demais sejam todos meninos de coro, mas são esses outros que geralmente constroem a parte boa de um futuro melhor e mais sorridente para si, para os que os rodeiam e para toda uma nação.

Este é somente um texto em debate nos canais internos reservados aos Associados da APROSOC, a sua exposição pública pretende somente dar a conhecer um pouco do que se trata e retrata no seio destas Associações, pelo que não terá desenvolvimentos públicos.

APROSOC traz de volta à margem norte do Tejo os grupos de conversação em CB

As novas estações de Associados da APROSOC  fazem renascer na margem norte do Tejo as antigamente chamadas “rodinhas”, grupos de utilizadores da rádio CB (citizens band), dentro das boas práticas de radiocomunicação. Orgulhamo-nos de no limite das nossas modestas capacidades estarmos a contribuir para o renascimento da Banda do Cidadão em Portugal, honrando a memória de tantos outros antigos “macanudos” (radioperadores da banda do cidadão) muitas vezes em nome de clubes e Associações já extintos ou em inatividade. É hoje possível ouvir conversações (vulgos QSO) entre radioperadores moderados na operação e respeitadores da língua portuguesa em detrimento da verbalização de termos estranhos à língua de Camões, de Portugal e dos portugueses.
Apesar dos desafios da crise no Associativismo não lucrativo, agravada pela pandemia que o país e o mundo sofrem, continuamos a dar o nosso melhor para juntar bons praticantes das radiocomunicações cidadãs.
Valemos pelos Associados que temos.
Obrigado pela confiança.

Um radioamador ou outro cidadão podem usar equipamentos de radioamador em CB ou PMR446?

Resposta:
Não. Os equipamentos de CB (citizens band) ou de PMR446 são equipamentos exclusivamente destinados a essa função, com características próprias e diferentes das características dos equipamentos de radioamador.

Na União Europeia, os equipamentos destinados à CB ou PMR446 têm de possuir uma declaração de conformidade com as normas vigentes, emitida pelo Fabricante ou por quem legalmente o represente num Estado membro da UE.

Em Portugal as autoridades são frequentemente condescendentes com a utilização de equipamentos CB que embora não tenham declaração de conformidade face às normas atuais, tenham estado abrangidos pelas normas anteriormente em vigor em Portugal e não excedam os limites de potência e radiações não essenciais actualmente impostos, bem como não possibilitem o recurso a frequências diferentes das legalmente permitidas (excepto nos atuais equipamentos multinorma) esta prática é um ato de cortesia e não uma obrigação. Esta condescendência não se aplica ao uso de equipamentos de radioamador em CB ou PMR446, nesses casos quando detetada a infração as autoridades procedem à apreensão dos equipamentos e identificação do presumível infractor para posterior aplicação da correspondente sanção contraordenacional.

Em caso de duvida sobre a veracidade das informações aqui prestadas contacte a ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações, através dos seguintes contactos:
» info@anacom.pt
» 21 721 1000