A indústria cinematográfica gerou na opinião pública uma imagem de zombie extrema de “mortos ressuscitados”, com cenários epidémicos ou pandémicos de grande mal, mas na realidade, os zombies são a maioria das pessoas com que os PREPPERS se cruzam quotidianamente.
Vamos começar pela figura do não zombie, a pessoa que faz reservas de alimentos e outros bens essenciais para uma autonomia mínima de um mês sem depender da cadeia de abastecimento, incluindo água potável, medicamentos e energias, mas também que tem ferramentas e habilidades para fazer qualquer reparação simples em casa ou no seu veículo sem depender de prestadores de serviços. Podemos acrescentar a isto, ser alguém com capacidade de comunicar com os seus familiares ou membros que lhe sejam mais próximos na sua comunidade (amigos confiáveis), bem como com reservas económicas e outras que sirvam de moeda de troca em caso de necessidade. Este é o conceito de não zombie, ou seja, alguém pouco ou nada dependente no imediato do mundo que o rodeia e, a este conceitos foram dados os nomes de PREPPERS nos Estados Unidos da América, Canadá, Austrália, Taiwan entre outros, e de Sobrevivencialistas no Brasil e em Portugal, sendo contudo que, embora a génese de ambos os conceitos partilhe de denominadores comuns, têm fatores diferenciadores que, na atualidade sofreram mutações simbióticas e que, praticamente são separados somente pelo língua em que são descritos, PREPPERS na língua inglesa e Sobrevivencialistas na língua Portuguesa, embora em Portugal o termo mais usado seja PREPPERS.
O PREPPER sente-se diariamente um ser diferente dos que o rodeiam, e é de facto um ser diferente porque é alguém que se prepara para enfrentar as adversidades não apenas no contexto quotidiano, mas também no contexto de exceção ou de catástrofe e caos social, contudo, deixar transparecer essa vantagem para os zombies é algo funesto ao interesse do PREPPER, e é ai que entra um outro conceito, o “GrayMan”, que consiste em parecer uma pessoa comum e confundível com qualquer outra, mesmo que até já tenha passado por uma fase de afirmação, procura agora com necessidade de maior esforço, apagar a imagem de pessoa com vantagem sobre as outras e, criar uma nova imagem de pessoa comum, banal, e em alguns casos mesmo há necessidade de criar a imagem de pessoa desinteressante e inferior, mas não demasiado, por um lado para evitar ser alvo de interesses funestos, mas por outro lado o excesso de aparência de vulnerabilidade pode levar a que seja mais facilmente visto como um alvo fácil, por exemplo para lhe subtrair bens.
Não existe uma receita certa para a preparação e equilíbrio da imagem que se transmite, mas existe uma contínua avaliação e adaptação em função dos resultados alcançados, por vezes o que se veste ou se ostenta faz toda a diferença na imagem que se passa e, através dessa imagem os zombies como seres astutos que me muitos casos são, vislumbram o que um preparador pode possuir.
O termo PREPPER significa apenas preparador, e diz-se preparador e não “preparado” porque estar preparado é um idealismo de certo modo utópico, pelo que a preparação é uma constante e estar preparado um ideal dificilmente alcançado face à multiplicidade de riscos e perigos.
De certo modo todos somos zombies, pois se perderes tudo o que reservaste na tua preparação ficas ainda mais vulnerável, mas há algo que te mantém em vantagem e que só a debilidade física ou mental te retiram, as habilidades.
Um mundo ideal é um mundo Zero Zombies Zone,mas o mundo possível é infelizmente Zero Zen Zone, o que implica estar permanente alerta. Os zombies estão por todo o lado, na tua rua, no teu trabalho, na tua casa, na tua cama. Não ser zombie é estar dez passos à frente na preparação.
