{"id":4323,"date":"2022-11-30T11:36:59","date_gmt":"2022-11-30T11:36:59","guid":{"rendered":"https:\/\/aprosoc.pt\/\/blog\/?p=4323"},"modified":"2023-09-02T19:45:42","modified_gmt":"2023-09-02T19:45:42","slug":"servico-de-ambulancias-de-emergencia-colapsado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosoc.pt\/blog\/2022\/11\/30\/servico-de-ambulancias-de-emergencia-colapsado\/","title":{"rendered":"SERVI\u00c7O DE AMBUL\u00c2NCIAS DE EMERG\u00caNCIA COLAPSADO"},"content":{"rendered":"<p style=\"font-weight: 400;\">Ex.mos Senhores,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As den\u00fancias e relatos de\u00a0\u00a0tripulantes de ambul\u00e2ncia que chegam ao conhecimento desta\u00a0Associa\u00e7\u00e3o, denunciam o colapso total do sistema nacional de ambul\u00e2ncias de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os relatos s\u00e3o os mais diversos, desde ambul\u00e2ncias do concelho de Loures ativadas para o distrito de Set\u00fabal, percursos de ambul\u00e2ncia superiores a por vezes 40 minutos para chegar \u00e0 v\u00edtima assistida, v\u00edtimas que esperam mais de uma hora por ambul\u00e2ncia, por vezes reunindo crit\u00e9rios de gravidade, entre outras situa\u00e7\u00f5es impr\u00f3prias de um pa\u00eds dito desenvolvido.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O agravamento da situa\u00e7\u00e3o tem infelizmente evolu\u00eddo negativamente e, a teimosia governativa de n\u00e3o refor\u00e7ar o sistema nacional de ambul\u00e2ncias de emerg\u00eancia com as existentes em empresas de ambul\u00e2ncias privadas, a par do insuficiente investimento no parque de ambul\u00e2ncias, bem como a aus\u00eancia de uma verdadeira carreira para as tripula\u00e7\u00f5es de ambul\u00e2ncia independentemente da entidade para quem prestam servi\u00e7o e a aus\u00eancia de contrato coletivo de trabalho a par da inadequa\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o disponibilizada aos tripulantes de ambul\u00e2ncias do sector associativo (Corpora\u00e7\u00f5es de Bombeiros e, Cruz Vermelha Portuguesa), s\u00e3o alguns da vasta lista de ingredientes que levam aqueles profissionais a \u00a0considerar a falta de condi\u00e7\u00f5es que dignifiquem a atividade profissional, a uma total desmotiva\u00e7\u00e3o e abandono da atividade, de que resulta a frequente inoperacionalidade de meios, bem como o n\u00e3o aumento do investimento em mais meios operacionais de socorro por parte essencialmente\u00a0dos operadores privados do sector social.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o existe distin\u00e7\u00e3o salarial ou outra compensa\u00e7\u00e3o para um tripulante de ambul\u00e2ncia que investe mais na sua forma\u00e7\u00e3o e presta um servi\u00e7o mais diferenciado e, na maioria dos casos esse acr\u00e9scimo de forma\u00e7\u00e3o n\u00e3o se traduz na autoriza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para colocar em pr\u00e1tica mais das suas compet\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A solu\u00e7\u00e3o criada pelo governo de disponibilizar aos t\u00e9cnicos do INEM mais forma\u00e7\u00e3o do que aos das demais entidades integrantes do sistema integrado de emerg\u00eancia m\u00e9dica, fez com que aqueles se sentissem tripulantes de terceira categoria, quando muitos investiram na sua forma\u00e7\u00e3o e at\u00e9 possuem mais compet\u00eancias. Tal situa\u00e7\u00e3o gerou uma incomensur\u00e1vel indigna\u00e7\u00e3o desmotivadora, tendo levado muitos a abandonar a profiss\u00e3o mesmo em corpora\u00e7\u00f5es de Bombeiros e unidades da Cruz Vermelha.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os relatos di\u00e1rios a que a APROSOC tem acesso denotam um desnorte governativo total e uma total aus\u00eancia de consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o da qual n\u00e3o temos d\u00favidas que resultam um incomensur\u00e1vel sofrimento para muitas v\u00edtimas, bem como o aumento da taxa de mortalidade precoce em Portugal.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A indigna\u00e7\u00e3o das tripula\u00e7\u00f5es de ambul\u00e2ncias em rela\u00e7\u00e3o aos Centros de Orienta\u00e7\u00e3o de Doentes Urgentes (CODU) do INEM, \u00e9 uma constante e os relatos s\u00e3o que frequente desvaloriza\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias instaladas nas tripula\u00e7\u00f5es de ambul\u00e2ncias, sendo in\u00fameras vezes tratadas como meros maqueiros.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A continuidade da n\u00e3o dignifica\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de tripulante de ambul\u00e2ncia e o fosso de condi\u00e7\u00f5es criado entre Tripulantes de Ambul\u00e2ncia de Socorro das entidades Associativas e em alguns casos municipais e, os T\u00e9cnicos de Emerg\u00eancia Pr\u00e9 Hospitalar, s\u00e3o o ingrediente perfeito para a redu\u00e7\u00e3o massiva do n\u00famero de operacionais nas ambul\u00e2ncias e aumento dos tempos de espera que j\u00e1 ultrapassam quotidianamente por vezes mais de uma hora, o que, inevitavelmente, aumenta a morbilidade e mortalidade em Portugal e se tenta justificar na totalidade com a pandemia.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As tripula\u00e7\u00f5es de ambul\u00e2ncia, que tanto contribuem para salvar vidas, sentem-se injusti\u00e7adas pelas pol\u00edticas governativas, desamparadas socialmente e discriminadas em rela\u00e7\u00e3o a outras classes profissionais com menor responsabilidade e n\u00e3o de vital import\u00e2ncia, que urge analisar seriamente como nunca foi feito e sem argumentos de clara tentativa de evitar o inevit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Fazer limpezas dom\u00e9sticas, sem a mesma responsabilidade das vidas postas nas m\u00e3os das tripula\u00e7\u00f5es de ambul\u00e2ncia, \u00e9 melhor remunerado e mais compensador do que arriscar a vida por entre o tr\u00e2nsito e ambientes por vezes in\u00f3spitos ou hostis para tentar salvar uma pessoa desconhecida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Para a APROSOC \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Civil, esta situa\u00e7\u00e3o reflete uma total falta de respeito por estes profissionais e, infelizmente temos de voltar a exist\u00eancia de interesses instalados nas entidades empregadoras destes tripulantes, j\u00e1 que s\u00e3o explorados tanto no sector p\u00fablico como privado, para que outros tenham certas mordomias ou o lucro do seu suor e l\u00e1grimas seja investido em meios materiais por vezes sup\u00e9rfluos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Conluios cartelizados&#8221; (como lhe chamam nas ruas) entre representantes dos operadores privados do setor associativo social e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, t\u00eam ao longo dos anos assegurado o monop\u00f3lio das corpora\u00e7\u00f5es de Bombeiros e Cruz Vermelha Portuguesa no transporte de doentes urgentes, nunca tendo existido investiga\u00e7\u00e3o a este facto de que resulta morbilidade e mortalidade precoce e evit\u00e1vel, j\u00e1 que da\u00ed resulta o afastamento de operadores privados empresariais que podiam refor\u00e7ar complementarmente o sistema existente e alterar significativamente o atual paradigma. A cada dia que passa na vig\u00eancia desta negociata, o sofrimento humano, a morbilidade e a mortalidade crescem no nosso pa\u00eds, tudo para alimentar entidades pouco eficientes e com custos operacionais pornogr\u00e1ficos quando comparados com os de uma empresa bem gerida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As tripula\u00e7\u00f5es das ambul\u00e2ncias merecem mais respeito por parte do Governo, se \u00e9 que se pode considerar que existe algum respeito. A forma\u00e7\u00e3o T\u00e9cnico de Emerg\u00eancia Pr\u00e9-Hospitalar (TEPH) deve ser disponibilizada a todos os tripulantes de ambul\u00e2ncias para que n\u00e3o existam doentes e sinistrados de 1\u00aa, 2\u00aa e 3\u00aa categoria.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Sem concorr\u00eancia do setor privado no transporte de doentes urgentes e emergentes n\u00e3o \u00e9 expect\u00e1vel desenvolvimento da qualidade dos servi\u00e7os prestados e, cremos mesmo que a reda\u00e7\u00e3o do\u00a0<b>Regulamento<\/b>\u00a0do\u00a0<b>Transporte de Doentes<\/b>. Portaria n.\u00ba 260\/2014\u00a0\u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o da livre concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>O governo \u00e9 em nossa convic\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por sofrimento, morbilidade e mortalidade precoce e evit\u00e1vel.<\/p>\n<p>A Estrela da Vida em Portugal \u00e9 &#8220;negra&#8221;, n\u00e3o azul.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ex.mos Senhores, As den\u00fancias e relatos de\u00a0\u00a0tripulantes de ambul\u00e2ncia que chegam ao conhecimento desta\u00a0Associa\u00e7\u00e3o, denunciam o colapso total do sistema nacional de ambul\u00e2ncias de emerg\u00eancia. 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