{"id":3564,"date":"2022-07-15T09:01:19","date_gmt":"2022-07-15T09:01:19","guid":{"rendered":"https:\/\/aprosoc.pt\/\/blog\/?p=3564"},"modified":"2022-07-15T09:01:19","modified_gmt":"2022-07-15T09:01:19","slug":"autarquias-sao-as-principais-responsaveis-pela-gravidade-dos-incendios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aprosoc.pt\/blog\/2022\/07\/15\/autarquias-sao-as-principais-responsaveis-pela-gravidade-dos-incendios\/","title":{"rendered":"Autarquias s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pela gravidade dos inc\u00eandios"},"content":{"rendered":"<p><strong>Apesar dos esfor\u00e7os legislativos desenvolvidos e de que resultam alguns diplomas legais de que se destaca o Decreto-Lei 44\/2019, a maioria das autarquias continua sem implementar as Unidades Locais de Prote\u00e7\u00e3o Civil, muitos autarcas nem sabem bem qual a sua utilidade e o resultado est\u00e1 \u00e0 vista. <\/strong><\/p>\n<p>De causa antr\u00f3pica ou natural, os inc\u00eandios sempre existiram e v\u00e3o continuar a existir e, nunca existir\u00e3o nos agentes de prote\u00e7\u00e3o civil recursos t\u00e9cnicos e humanos, suficientes e capazes de fazer a primeira interven\u00e7\u00e3o atempada e assegurar a consolida\u00e7\u00e3o do rescaldo de modo a evitar reacendimentos resultantes de proje\u00e7\u00f5es ou novas igni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A atual situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de marginaliza\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os que querem proteger o que \u00e9 seu ou do seu vizinho, contudo, ainda que seja para realizarem trabalhos de consolida\u00e7\u00e3o de rescaldo t\u00eam de andar a esconder-se por caminhos secund\u00e1rios para fugir ao controlo das for\u00e7as policiais. Muitos destes cidad\u00e3os t\u00eam ferramentas e equipamentos que lhes possibilitam dar um importante contributo nas opera\u00e7\u00f5es de combate aos inc\u00eandios, contudo, proibidos de circular em \u00e1reas por vezes j\u00e1 ardidas e em que as for\u00e7as de combate aos inc\u00eandios j\u00e1 abandonaram para responder a outras situa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o por vezes colocados \u00e0 dist\u00e2ncia como espectadores a observar o que \u00e9 seu a arder apenas porque n\u00e3o lhes possibilitaram participar nas opera\u00e7\u00f5es de rescaldo.<\/p>\n<p>Estes cidad\u00e3os deveriam estar integrados nas Unidades Locais de Prote\u00e7\u00e3o Civil de cada freguesia, ser apoiados com a\u00e7\u00f5es de sensibiliza\u00e7\u00e3o conducentes \u00e0 sua seguran\u00e7a durante as opera\u00e7\u00f5es de rescaldo como de apoio \u00e0s tripula\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos das for\u00e7as que combatem os inc\u00eandios, sob a supervis\u00e3o e \u00e0s ordens de cada chefe de equipa de modo a ser garantida a sua seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m conhece melhor a sua propriedade que o propriet\u00e1rio, ningu\u00e9m conhece melhor os caminhos e atalhos do que aqueles que l\u00e1 moram, ainda assim s\u00e3o colocados como expectadores \u00e0 dist\u00e2ncia, enquanto for\u00e7as que por vezes vieram de locais a centenas de quil\u00f3metros de dist\u00e2ncia v\u00e3o combater um inc\u00eandio num local que n\u00e3o conhecem, por caminhos que desconhecem, expostas por vezes a perigos que n\u00e3o vislumbram.<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que muitos Presidentes de Junta ou Uni\u00e3o de Freguesias n\u00e3o tomam a iniciativa de constituir Unidades Locais de Prote\u00e7\u00e3o Civil, n\u00e3o menos verdade \u00e9 o facto de que muitas vezes essas propostas s\u00e3o reprovadas por Presidentes de C\u00e2mara ou mesmo em Assembleia Municipal.<\/p>\n<p>Aqueles que t\u00eam por miss\u00e3o o combate aos inc\u00eandios tamb\u00e9m s\u00e3o humanos, tamb\u00e9m precisam de apoio, tamb\u00e9m ficam com os p\u00e9s lastimados dentro daquelas botas de bombeiros, tamb\u00e9m precisam da ajuda dos volunt\u00e1rios de prote\u00e7\u00e3o civil das Unidades Locais de Prote\u00e7\u00e3o Civil, para os encaminharem, para os alertarem dos perigos locais, para lhes indicarem pontos de \u00e1gua, para lhes doarem algum alimento ou \u00e1gua pot\u00e1vel para poderem continuar a combater um inimigo t\u00e3o desigual mas, sem este apoio ora popular e marginalizado que se deseja organizado em Unidades Locais de Prote\u00e7\u00e3o Civil, nada do que de pior se observa nos inc\u00eandios (n\u00famero de igni\u00e7\u00f5es, dura\u00e7\u00e3o, extens\u00e3o e preju\u00edzos) se alterar\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que o interior t\u00eam muitas pessoas idosas e incapazes de integrar as Unidades Locais de Prote\u00e7\u00e3o Civil, mas existe ainda gente capaz que n\u00e3o integrada faz apenas parte do problema quando poderia ser parte da solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Artigo de opini\u00e3o de: Jo\u00e3o Paulo Saraiva<br \/>\nPresidente da Dire\u00e7\u00e3o da APROSOC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar dos esfor\u00e7os legislativos desenvolvidos e de que resultam alguns diplomas legais de que se destaca o Decreto-Lei 44\/2019, a maioria das autarquias continua sem implementar as Unidades Locais de Prote\u00e7\u00e3o Civil, muitos autarcas nem sabem bem qual a sua utilidade e o resultado est\u00e1 \u00e0 vista. 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