POSIÇÃO SOBRE A DEMISSÃO DA SENHORA MINISTRA DA SAÚDE – DR.ª MARTA TEMIDO

COMUNICADO 251424JUL22

Em resposta às questões que nos têm sido dirigidas por alguns órgãos de comunicação social sobre a demissão da Senhora Ministra – Dr.ª Marta Temido, entende esta Associação, tal como informado, reagir por escrito nos termos e pelos factos seguintes:

1º Efetivamente a APROSOC solicitou por diversas vezes a demissão da Sr.ª Ministra, contudo esses pedidos de demissão sempre foram acompanhados do pedido de demissão da equipa do Conselho Diretivo do Instituto Nacional de Emergência Médica, por estarem na base desses pedidos dessas reivindicações, situações de falha grave na prestação de socorro;

2º É nossa convicção de que a demissão da Sr.ª Ministra só por si não resolve os problemas de que o SNS em geral padece e o INEM em concreto tem parte dos seus meios inoperacionais ou mesmo inadequadamente operacionais, existindo questões de fundo como a falta de recursos humanos e a inadequação da formação para a função desempenhada pelos técnicos de emergência pré-hospitalar, tudo isto associado aos interesses instalados naquele instituto público que não serve adequadamente os utentes e cujo orçamento de que dispõe possibilitaria fazer muito mais com um diferente modelo de gestão e de diferente articulação com os parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica, sendo caso para se dizer que na prática o INEM fechou, somente se esqueceram de avisar os colaboradores e utentes, insistindo-se em manter esta situação camuflada;

3º Em nosso entendimento, não é por falta de bons e excelentes profissionais que o SNS não cumpre melhor o seu papel, mas sim devido ao facto do Ministério das Finanças insistir em que o SNS continue a fazer omeletes sem ovos, ou seja, continue a não dispor de capacidade financeira para a contratação dos profissionais de que necessita para resposta adequada;

4º Há muito defendemos que, o aumento da formação e inerentes competências das tripulações das ambulâncias no geral, e não apenas as do INEM, possibilitaria a dispensa de médicos e enfermeiros dos serviços de emergência médica pré-hospitalar, possibilitando assim o seu emprego intra-hospitalar onde a carência destes profissionais de saúde é por demais evidente, contudo, numa tentativa de segurar nos quadros do INEM técnicos menos qualificados, aquele instituto e tutela têm alimentado uma política de baixo nível de formação que limite aos técnicos de emergência pré-hospitalar as opções de escolha em Portugal, o que leva muitos destes a imigrar para países onde conseguem progredir da carreira, auferir melhores remunerações e ter dignas condições de trabalho e, não menos importante, o reconhecimento da profissão de “técnico de emergência médica” ou mesmo de “paramédico”.

Entendemos por tudo isto que a demissão da Senhora Ministra, é mais uma manobra de contenção de danos políticos do que um contributo para as soluções dos problemas, já que não é solidariamente acompanhada de outros corresponsáveis por esses problemas.

 

Carnaxide, 30 de agosto de 2022

João Paulo Saraiva
Presidente da Direção